O post das explicações (fictícias) sobre como a mãe ovelha troca a sua cria por um ipod touch

Hoje vou contar-vos uma história dramática sobre a morte de algo que era muito querido para mim. Mas para isso teremos de recuar cerca de 2 semanas atrás no tempo:

Local: Não sei. Algures nos confins do mundo, também conhecido por arredores.

Estava uma tarde quente, óptima para ficar em casa a descansar o Quim Berto (nome que durante a minha ausência decidi dar ao meu abdómen, uma vez que este tem agora um volume considerável) e alimentá-lo com suculentos dónuts rascos do Jumbo. Mas não! Alguém tinha de ter tido a ideia de ir fazer um teatro para a terra de ninguém portuguesa, um espaço que podia muito bem estar compreendido entre duas trincheiras, com o pequeno pormenor de que tinha umas luxuosas vivendas por lá. Não obstante, era um sítio estúpido… Lá tive de ir, até porque era uma competência obrigatória da aula de inglês.

Tristeza a minha quando me deparei com uma estranha dificuldade em introduzir o Quim Berto dentro da viatura o que me fez chegar com um atraso de cerca de 24 minutos e 13 segundos. Tempo suficiente para se juntarem contra mim. “Conspiração!”, dizia eu para com os meus botões. Só vim a provar que estava certo quando lá cheguei.

Foi nesse momento que tudo mudou. Em certos períodos da história da vida de uma empresa, banda, clube, pessoa, etc. existem momentos que definem um ponto de viragem, uma mudança de era e para mim, aquele instante definiu uma era pré-aquele momento e outra pós-aquele momento. Cheguei lá com dificuldade, já que o Quim Berto insistia em permanecer na viatura, e mesmo eu claro esforço para acenar com a minha mão direita, bombardearam-me com a notícia de que eu tinha o perfil para ser a personagem principal. Sem pestanejar começaram a explicar-me o porquê de me escolherem: “Tu és bla bla bla bla bla bla e bla bla mais bla bla bla. Ah! e vais ser gay.”. Leram bem: “GAY”.

Porra! Era tão gay como todos os outros que estavam a fazer teatro comigo. Até digo mais: Eu e o meu Quim Berto com o nosso modo de vida similar ao de uma foca somos mais homosexuais que um qualquer Zé desta vida que nomeia a sua “retaguarda” de Quim ABERTO?!

Como se não bastasse, não era um gay qualquer. era um gay paquistanês que se apaixona por um francês com nome de órgão genital… O que poderia ser pior? Dizerem-me que era por causa dos meus caracóis.

E se há 3 coisas que não admito são:

1- Defenderem o nódoa;

2- Pessoas que dão aos filhos nomes acabados por “i” ou “z”;

3-Tratarem mal o meu coro cabeludo.

(Apenas admito qualquer uma das três situações se forem utilizadas como pretexto de bater no nódoa)

Mas continuando, triste, e ainda desgastado do desafio que foi esquivar-me daquele monstro de metal em forma de Transformer, disse, convicto das minhas capacidades de que ia cortar a gadelha mal tivesse oportunidade.

E assim foi: no fim de semana passado ganhei coragem e fui acompanhado com a minha namorada atirar ovos à porta do Diabo. Não me lembro como se chamava, mas “Barbearia para homens rijos de barba rija” não era certamente. E neste momento aconteceu algo engraçado: Acontece que quanto era pequeno a minha mãe dizia como cortar o meu cabelo e eu apenas ouvia “bla bla bla escade-qualquer coisa bla bla bla pontas bla bla franja bla bla”. O que é certo é que ficava sempre bem. Agora era a minha namorada que fazia sempre essa conversa de treta. Mas desta vez foi diferente… Quando a senhora me perguntou “Então, como vai ser?”, eu estava sozinho, e aquela totó estava longe de mim, a jogar. Disse para mim, já com uma pinga de suor no canto da testa: “Quim Berto, nós sabíamos que este dia iria chegar. Agora somos só nós os dois!”. E usei todo o poder da minha obesidade mórbida para pensar nas palavras que iria utilizar. Rápido deixei os monólogos e passei aos diálogos, firme e decidido como se quisesse fazer daquela triste actividade o meu ganha-pão: “Tem muito volume, anda a crescer um bocado depressa de mais, especialmente para os lados, e à muito que deixou de er uma textura que eu realmente admirasse”. Quase ao fim do corte é que me lembrei: “Porra! Estava a falar do Quim Berto e não do coro cabeludo!”. Mas enfim saí de lá sem o aspecto de blogger gordo mórbido gay paquistanês, para passar a ser o blogger gordo mórbido gay americano. Mas não me importei, e segui em frente.

Nos dias seguintes, os comentários dividiram-se entre “está óptimo! estás muito mais carismático!” e “engordaste?…”, mas a abordagem mais caricata (no início. Acabou por deixar de ter piada) foi a do GangsterVeggies. Quando ele olhava para mim, tirava sempre o casaco. Se não tivesse casaco vestido, vestia-o só para depois o despir outra vez. Chegou a ir uma vez a casa buscar um casaco só para fazer isso. Depois de ter tirado o casaco começava a acariciar os próprios mamilos como um japonês reformado acaricia os seus próprios bonzais. Eu, inclusive, lhe falei desta analogia mas a resposta dele foi “queres ver o meu bonzai?”. Mas a situação pior e ele começou a correr atrás de mim, certamente por ter estado exposto damasiado tempo a radiações ultranódoa (UN). Como o medo de ser apanhado era grande, decidi que se calhar, rebolar não favorecia a minha fuga em função a uma boa corridinha. E assim, comecei a exercitar os meus membros inferiores muito ao estilo do Forest Gump.

Em poucos dias, o Gangster “Come” Veggies (nomeadamente cenouras…) perdeu o interesse em mas o Quim Berto desapareceu.

E assim foi a história da morte do Quim Berto. Espera lá… Era suposto contar a história do cabelo? Oh, esqueçam…

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